Colômbia

Grupo De Dança Afro-colombiana Contempor Nea Sankofa

Rafael PalaciosO diretor do Grupo de Dança Afro-Colombiana Contemporânea Sankofa é o bailarino e coreógrafo Rafael Palacios, nascido em 1969 em Copacabana, município de Medellín, Colômbia. Depois de se formar em dança africana, tendo sido orientado pelas professoras Germaine Acoyne e Irene Tassembedo em Paris, fez uma viagem de pesquisa e aperfeiçoamento em danças africanas e afro contemporâneas, o que lhe permitiu visitar 18 países no África Central e Ocidental como Burkina Faso, Quênia, Congo, Camarões, Angola, Eritreia, entre outros, influenciado pelos postulados da Escola Mudra. Ao retornar à Colômbia, fundou em 1997 o Sankofa, que dirige até hoje. Em 2007, Palacios desenvolveu o projeto Steps on Earth; dança, tradição e contemporaneidade, da Direção de Artes do Ministério da Cultura, que lhe permitiu visitar várias comunidades do Pacífico colombiano e apoiar processos de formação em torno da dança tradicional e contemporânea afro. Em 2008 obteve o Prêmio Nacional de Dança concedido pelo Ministério da Cultura da Colômbia, e foi Conselheiro Nacional de Dança no período 2009-2011. Nesse mesmo ano, obteve a Bolsa para Preservação da Tradição financiada pela Embaixada dos Estados Unidos. Já apresentou seus trabalhos em diversos países, como Jamaica, Espanha, China, Estados Unidos, França, Canadá, Brasil, Peru, Suíça, Argentina e Panamá. Em 2019, junto com o Sankofa, fez uma temporada de apresentações nos Estados Unidos, incluindo o emblemático Joyce Theatre, em Nova York.

People dancingO Sankofa desenvolve uma série de projetos educacionais para a formação em dança afro contemporânea, bem como ritmos tradicionais afro-colombianos e gêneros urbanos. Seu objetivo é fortalecer os processos autorreferenciais entre as comunidades afro da cidade de Medellín, enfatizando a memória coletiva e o conhecimento das identidades e resistências afro-colombianas, como parte da diáspora afro-americana. Rafael Palacios é formado em Educação Básica em Dança pela Universidade de Antioquia; Mestre em Educação e Direitos Humanos pela Universidad Autónoma Latinoamericana, possui especialização em Estudos Afro-Latino-Americanos pela ICESI University e Harvard University; e especialização em Epistemologias do Sul pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, CLACSO.

As colaborações entre o Sankofa e o projeto CARLA incluem apoio à concepção da obra Detrás del Sur, Danzas para Manuel, bem como apoio logístico para o lançamento da obra Solidões Compartilhadas em Tempos de Pandemia, posteriormente relançada com o nome de Narrativas Negras, do Teatro Metropolitano de Medellín no âmbito do DanzaMed, 2020. Recentemente, a convite do Sankofa, o projeto CARLA apoiou workshops para desenvolver a exposição Afro: Laboratórios de Criação em Casa, com ênfase na Dança Afro contemporânea, patrocinado pela Prefeitura de Medellín no âmbito do programa Red de Danza. Além disso, Sankofa e CARLA estão colaborando na realização de um documentário sobre processos criativos em torno da obra Detrás del Sur.

A obra do Sankofa pode ser considerada antirracista porque busca desmantelar, por meio da encenação de obras de dança afro contemporânea, estereótipos sobre os negros que impedem que se perceba a pluralidade dos afro-descendentes e a heterogeneidade de suas identidades sociais. Ademais, o Sankofa afirma o valor das resistências que se expressam na forma de saberes comunitários incorporados nas danças tradicionais e urbanas, que constituem memórias coletivas e criam laços de reciprocidade. Por fim, o trabalho de Sankofa está relacionado ao antirracismo por questionar os legados da colonialidade que afetam os afro-descendentes, disciplinando os corpos, estabelecendo padrões de beleza eurocentrados e minando espiritualidades.

Para obter mais informações sobre o Sankofa, consulte

https://www.youtube.com/watch?v=78m78cxkE3g&t=1288s 

Margarita Ariza Aguilar

Margarita Ariza AguilarMargarita Ariza Aguilar nasceu em Buenos Aires, de onde se mudou para Barranquilla, Colômbia, quando era muito jovem. Sua prática artística inclui performance, vídeo, desenho, pintura, intervenção no espaço público, criação de objetos e escrita, experiências participativas e ações colaborativas. Em 2011, deu início ao projeto Blanco Porcelana, que investiga aspirações à branquitude no ambiente familiar. A partir de um material elaborado sobre práticas cotidianas de beleza, expressões verbais, rotinas de autocuidado e percepções de corpos, cor da pele e posição social, Ariza revelou a persistência do racismo na formação de subjetividades ocultas sob a forma de aspirações à branquitude. O projeto foi censurado pela justiça colombiana, sob a acusação de violação da privacidade familiar. Então, em 2015, o Tribunal Constitucional decidiu a seu favor, tornando-se o primeiro caso para a proteção dos direitos de livre expressão no campo das artes.

Ariza é Reitora da Faculdade de Artes Visuais e Aplicadas do Instituto Departamental de Belas Artes de Cali, Colômbia, e professora do programa de Artes Plásticas. Ela dirige o grupo de pesquisa Aisthesis na mesma instituição. Ela foi professora na Pontifícia Universidade Javeriana e na Universidade Icesi. Além disso, atuou como curadora do Museu de Arte Moderna e assessora externa do Museu de Arte Moderna de Barranquilla. A prática artística de Ariza inclui colaborações de trabalho e intervenções em espaços como museus, transportes públicos e espaços educativos. Durante o Festival Arte y Decolonialidad de 2019, no Museu Colonial de Bogotá, a artista fez uma intervenção fotográfica com a obra La Marquesa de San Jorge, de Joaquín Gutiérrez (1775), mostrando como outros mestiços, afrodescendentes e indígenas ocupavam espaços de poder simbólico representados pelo retrato da marquesa, cuja pele era descrita como “quase de porcelana”.

As colaborações entre Margarita Ariza e o projeto CARLA se basearam em acompanhamentos para a preparação de artigos acadêmicos e de divulgação sobre a obra de Ariza, em particular sua obra sobre a figura e retrato de Juan José Nieto Gil no âmbito do projeto Black enough?, que consiste em uma colaboração entre 26 artistas visuais que investigam criticamente a invisibilidade e o esquecimento a que foi submetido o retrato do único presidente afro da história da Colômbia, promotor da abolição da escravatura no país durante a segunda metade do período republicano. Além disso, as colaborações entre Ariza e o projeto CARLA se voltam à realização de processos criativos em performance e reflexões em torno da relação entre racismo, branquitude e emoções.

O trabalho de Ariza está relacionado aos temas do projeto CARLA de várias maneiras. Primeiro, porque aborda o racismo a partir da aspiração à branquitude. O “branco” é concebido para além da cor da pele, embora não exclua esse elemento, para mostrar a forma como a branquitude é produzida e reproduzida a partir de práticas cotidianas em ambientes privados, como o da família. Em segundo lugar, seu trabalho aborda as maneiras pelas quais a branquitude gera efeitos de invisibilidade e demarcação de identidades subalternizadas, aquelas que se enquadram nos ideais do branco. Nesse sentido, mostra como a branquitude é uma construção racializada das diferenças. Por fim, seu trabalho está relacionado às linhas de interesse do projeto CARLA devido à sua dimensão afetiva, que permite analisar uma política de afeto a partir dos efeitos que gera em diferentes públicos.

Para obter mais informações sobre esta artista, consulte https://blancoporcelana.wordpress.com/